segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

o escorpião

(M. C. Escher)

o veneno é a infeção
o ardor nas veias
do sanguíneo fluxo

se o escorpião injeta
o pútrido micróbio
talvez seja a vacina
que o inimigo expecta
e em guerra
o escorpião o dejeta

essa semente maligna
que o escorpião enterra
é o excremento fértil
que floresce a terra



sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

meu amor, meu fruto

(Pierre Auguste Renoir)

(ao Pedro)

meu amor, meu fruto,
cheiras a mar
ao peixe
que deixa o suor vivo
nas praias

o fundo da tua boca
tem areias húmidas
onde o sol quente e seco
demorará a chegar


segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Voi, che sapete che cosa e amor - Mozart




Voi che sapete che cosa e amor
donne, vedete s'io l'ho nel cor.

Quello ch'io provo vi ridirò,
è per me nuovo, capir nol so.
Sento un affetto, pien di desir,
ch'ora è diletto, ch'ora è martir.
Gelo, e poi sento l'alma avvampar,
e in un momento torno a gelar.

Ricerco un bene fuori di me,
no so ch'il tienne, non so cos'è.
Sospiro e gemo senza voler,
palpito e tremo senza saper,
non trovo pace notte nè dì,
ma pur mi piace languir così.

Voi che sapete che cosa e amor,
donne, vedete s'io l'ho nel cor.

Ária da ópera As Bodas de Figaro, Mozart

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Praça Tahrir



(Suhaib Salem)



Praça Tahrir
centro do mundo
do mistério
olho mágico de Orus
chave da vida
que abrirá novos reinos
e esquecerá os mortos

na Praça Tahrir
Re, o deus sol
acendeu brilhante
a fogueira branca
da força e da esperança

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

rua da toranjeira perfumada


rua da toranjeira perfumada
onde o sol se encosta
amarelo e quente
e os gatos as mulheres os velhos pescadores
trespassados pelos raios apolíneos
vencidos de sonhos adiados
regurgitam ao sol
fervilhando o sangue
e as fímbrias gastas
dos pesares da vida